quinta-feira, 9 de setembro de 2010

o vazio preenchido

queria postar o vazio, sabe?                
sem o vazio somos incompletos            
acho que a Paz é o vazio que nos preenche                                            
que excede o nosso entendimento              
tudo é vazio de significado se não houver o vazio:


a música   
  a fala                                o texto    
   o átomo           o homem     
o homem                                          o homem 




o homem: se não é vazio,             
é cheio de nada.            
 e se esvazia,           
 ganha um novo significado.         
eis a contradição  de ser cheio sendo vazio                
e ser vazio sendo cheio

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

como os nossos amigos cães

Hoje andando pra escola avistei um cão que corria em alguma direção. Me impressionou como ele corria como quem tem algum compromisso em algum lugar. Estava determinado. Ali eu pensei o quanto aquilo era algo comum entre eles: andam pelas ruas, sabem para onde estão indo, buscam seus desejos pelos rastros com seus faros. Mas será que eles realmente sabem para onde estão indo? Será que sabem que existe um mundo que está além do dele? (não levanto aqui a questão de superioridade/inferioridade entre esses mundos).  Nessa viagem, eu pensei sobre o quanto nos assemelhamos aos nossos amigos cães. Andamos como quem sabe para onde vai, como quem sabe o que procura. Mas será que existe alguém que olha para nós e diz: será que eles realmente sabem para onde estão indo?

Tatiana Paz

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Rifa-se um coração

Rifa-se um coração quase novo.



Um coração idealista.


Um coração como poucos.


Um coração à moda antiga.



Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.


(Desconheço o autor)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quando sarò grande

Quando sarò grande tutti i miei sogni saranno possibili. Io avrò molto tempo per stare con la mia famiglia e avrò soldi per fare molti viaggi con miei amici. Così io imparerò bene l'italiano e l'inglese per conoscere alcune culture. Io deciderò dove io farò alcuni corsi che io desidero fare anche.
Però è importante dire che quando sarò grande io conoscerò il mio principe azzuro. Io vorrò che lui sia una persona divertente, creativi, simpatici, sensibili e intelligenti. Insieme costruiremo una bella storia e saremo felice.
 Doppo questo sacco di sogni, io faró una domanda: alcuno giorno io sarò grande?

minha professora pediu pra eu sonhar em italiano
e eu sonhei, mas com os pés no chão - brasileiro

sexta-feira, 30 de julho de 2010

vc queria voltar ao CN?

 - não
 lá fiz revisão do que eu sou
 pude me enxergar outra vez
 fazer uma panorâmica de quem sou e como estou
 e isso entristece
 mas recebi palavras animadores
 isso me impulsiona
 sabe?
 por isso não quero voltar


numa conversa via MSN (saudades na ABUB)

a bela e a fera

"
No bucho do analfabeto
letras de macarrão
Fazem poema concreto

Ó bela gera primavera
Aciona o teu condão
Ó bela faz da besta fera
Um príncipe cristão
Recebe o teu poeta 

ó bela
Abre o teu coração
Abre o teu coração
Ou eu arrombo a Janela

"

Chico Buarque e Edu Lobo

claricear

"Quando o amor é grande demais torna-se inútil: já não é mais aplicável, e nem a pessoa amada tem capacidade de receber tanto. Fico perplexa como uma criança ao notar que mesmo no amor tem-se que ter bom-senso e medida.
Ah, a vida dos sentimentos é extremamente burguesa."

Clarice Lispector

dando chá de sumiço para a fantasia

vc brincava de mágica
um simples truque
não era uma mentira
apenas uma brincadeira
diversão

eu achava o máximo as surpresas de sumir e aparecer
me assustava com o sumiço
e me empolgava com o ressurgir
como criança que se encanta com a magia
minha cabeça ficava de lá pra cá
agitada

até que fiquei exausta
era hora de ir pra casa
era hora de terminar a pipoca
e dar um fim na maçã do amor
era hora de fechar as cortinas de toda magia que se evaporou!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Eu pensei

durante uma conversa no MSN:


 Dani desejou feliz dia do amigo, ligou praí e só dava comunicação
 agora, eu penso: 'dar comunicação' deveria significar que a gnt conseguiu falar cm a pessoa, né?
 comunicação>>>>>>>diálogo
 dar comunicação = ocupado
 estranho
 ok
 divagações devem ser breves
 é isso

sábado, 19 de junho de 2010

minhas contradições

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Não, eu não sou mais rosa. E por isso esse álbum representa uma contradição:  'o tempo não pára' e ele é tão veloz que me faz pensar que ele, na verdade, 'não passa' e que eu não deixo de ser a mesma de ontem. Por isso, abandono e mantenho o rosa de menina e ao mesmo tempo experimento e rejeito o vermelho de mulher.

TPz
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intuições

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As pessoas me sugerem que o sentimento, a fé e a verdade filosófica não tem importância. Mas eu conservo no fundo do meu coração a correta intuição de que estas são as questões realmente importantes.

reflexões sobre
Mitos e Neuroses: desarmonia da vida moderna


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terça-feira, 15 de junho de 2010

a uma amiga cor de Jambo



eu tenho saudades de vc pq vc ri de tudo que eu digo,
pq seu sorriso é laaaaaargo
e tem sonoridade esbravejante.
também gosto de vc pq as vzs vc não tá pra ngm, só pra vc
eu gosto de vc! 
por isso sinto sua falta
morena que irradia,
vc é afago e sorriso
eu paro diante do seu brilho.


palavras ditas sobre Jamile Santos, uma amiga que me faz falta

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Trocando roupinha do bloguinho

É sempre bom mudar. Hoje foi a vez do meu blog ganhar roupagem nova. Eu queria ter uma mente super produtiva pra poder alimentá-lo diariamente. Queria também ser uma super webdesigner pra que ele tivesse um lindo layout. Ou ter dinheiro pra comprar isso tudo. Não sendo e não tendo, ele me acompanha: simples e sempre, devagar e sempre, desestruturada e sempre, e mudando sempre. Pois, então: que venham coisas novas pra mim, pq assim sendo... virão coisas novas pra ele. Que venham novas estações na minha vida e novas coleções pra meu bloguitcho. Novas trilhas, porém sempre o mesmo AndarilhuZ!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Troféu de perdedor

Aproxime os olhos do côncavo e veja que: valeu a pena ser quebrado em cacos; valeu a pena te ver e ter que esquecer; valeu a pena não ser O Vencedor; valeu a pena o splish splash do tapa no cinema. Por que não? Valeu a pena ir ao calvário. Afinal, bem aventurados são os que choram. Valeu a pena? Sim, valeu a pena descer ao chão, sentir saudades e não ter previsão. Valeu a pena ir para segunda divisão e ser vice-campeão. Pedir esperança e ter que ganhar um beliscão. Por que não? Pra mim, se a vida fosse pão com queijo, o queijo seria a vitória e o pão a frustração. E se perder é sustento pra vida, eu canto que valeu a pena ser pescador de ilusão.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Docinho

                                                                                                                                                  Tatiana Paz

                                                                                
Um dia, na terra dos Sabores, eu caminhava distraída na Rua Brigadeiro Manoel Tavares, quando me deparei com uma doceria tradicional da cidade. A vitrine era a mesma e os doces igualmente os mesmos. Mas nesse dia, um doce em especial me chamou a atenção: ele parecia um docinho de coco!

Por várias vezes voltei àquela rua de sabor atraente e comecei a observar as pessoas que entravam e saíam, e principalmente a me deliciar com os olhos diante daquele docinho.

Certo dia, vi uma Índia da Tribo dos Chocolates adentrar a doceria e provar o meu tão desejado docinho. Ela saboreou com grande prazer muitos dele e depois com cara de desprazer saiu resmungando. Eu que jamais havia entrado numa doceria como aquela, observei aquilo com atenção; mas não parava de desejar aquele doce. Com água na boca, acompanhei os passos de uma Pequena Jujubinha que aventurou-se a provar do docinho em grande quantidade, mas ela saiu dali com a mesma feição da Índia dos Chocolates. Elas resmungavam: é docinho, mas no final tem uma pimentinha...

Ah! Eu conseguia entendê-las, e imaginava como seria esse doce a partir da memória do meu paladar. Mas nenhuma descrição alcançaria a completude da apreciação. Ele [o docinho] era um convite desregrado ao saboreio. Foi aí que decidi provar. Mas eu, uma Botilha de Mel, dificilmente arrebataria aquele docinho para mim.

Decidi, então, falar com o Super Poderoso Chefe de todas as Cozinhas. Ele estava a trabalhar : há sempre muita gente à sua espera. Mas meu paladar não podia esperar. Fui escondidinha e pus a mão no docinho. Era só um, numa única vez. Ah! Que saboroso! Senti o gostinho da pimenta que elas tanto falaram. Mas era tão suave e gostoso... Ah! Não resisti! Cada vez que me deliciava, era como se fosse um convite para mais um. Ao todo foram sete vezes do mesmo docinho.

Naquele instante a pimentinha ardia muito, a ponto de trazer lágrimas aos meus olhos. Naquela hora vi que precisava parar, mas o açúcar do doce me era tão atrativo que fiquei muito ansiosa e na dúvida. A dúvida era dúvida de gordinho em dieta.

Resolvi agora recorrer mais uma vez ao Todo Poderoso Chefe de Todas as Cozinhas. Eu queria saber tudo dele: os ingredientes, se eu podia comer, se podia fazer em casa, como fazer, como conservar... Mas tudo que obtive naquele momento foi um grande silêncio.

Eu não sabia o que se passava na cabeça do Todo Poderoso Chefe. Não sabia se Ele queria que eu provasse outro docinho, se ele havia reprovado meu impulso repentino. Só sabia uma coisa: eu havia abusado na quantidade. Os efeitos já se ouviam no meu estômago (o grande processador de ideias sobre docinhos). E enquanto eu decifrava as expressões do Grande Chefe, o Docinho estava lá.

Eu não saí da frente do Grande, mas também não tirava os olhos do Docinho. Nesse vai e vem de olhares perdidos, comecei a ouvir a voz do Chefe. Ele começou a me lembrar da base de uma dieta. Lembrou-me da firmeza das verduras, do colorido das frutas, da suavidade das folhas, da refrescância da água, da força das massas... Eu havia esquecido de tudo isso. Sentia falta, mas meus olhos estavam no docinho, como uma criança pequena. E como criança pequena fui tratada pelo Mestre das Cozinhas. Ele me fez voltar os olhos para o que eu estava precisando e me prometeu: no final do banquete chegaria a sobremesa. Que sobremesa? Eu não sei, Ele não me disse. Mas prometeu, como um pai promete a um filho, que haveria sobremesa. E eu apenas sussurrei no seu ouvido: eu gostei daquele docinho! ;)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Game Over. Você venceu. Só entro no jogo outra vez, se algum dia o Deus da Guerra entrar nessa batalha comigo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Algumas palavras

gosto de Alguém
e não interessa quem
porque este Alguém gosta de Ninguém
e Ninguém o rejeitou
e eu aqui querendo trocar sorrisos...

lamento por não ser Ninguém
e por saber que sou o Alguém de Outrém

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Anali

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Se Deus me concedesse a oportunidade de nomear uma flor, escolheria aquela de cores laranja, vermelha e amarelo, e a chamaria Anali. Suas cores me lembram o ébano que está na pele da menina baiana. Seu cheiro exala a doçura daquele chamego, que entre afagos e cheiros, desfrutamos num pôr-do-sol no Humaitá. Pra conheceres Anali, precisas pisar na terra de Gabriela que cheira cravo e canela, e assim conhecerás o amor que Amado não escreveu e que Gabriela não viveu. Anali, com beleza e doçura atrai caçadores de mel; mas não estranhe, caro amigo, se algum dia em suas andanças encontrares Anali e ao beber do seu mel perceberes que ele é doce na boca e amargo nas entranhas. Anali é flor plantada na terra de mistérios, é semente que dará frutos. Anali é minha vida em dois minutos.



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