se de pedra fosse
gostas de mar não escorreriam do meu rosto
se de pedra fosse
sem medo do penhasco eu rolaria
se de pedra fosse
por humanos não me atrairia
porque a pedra dura amanhece e seca permanece
rola pelos campos e dor não sente
recebe carinho e olhares
mas nada lhe é atraente
sonho de ser pedra
insensível à luz e à escuridão
mas sai o Sol
entra a Lua
eu espero amanhecer
escuridão nos pensamentos
desejo de laços romper
eu vejo sangue
me machuco
me reviro
veja meu sangue
olho para o horizonte
nos montes vejo pedras
quem as atirará?
eis que avisto
figura de dor
carne e sangue como eu
por corações de pedra desprezado
e eu agora queria ser de todas as pedras
aquelas pelas quais gotas do seu sangue rolaram