sábado, 28 de novembro de 2009

se de pedra fosse
gostas de mar não escorreriam do meu rosto
se de pedra fosse
sem medo do penhasco eu rolaria
se de pedra fosse
por humanos não me atrairia


porque a pedra dura amanhece e seca permanece
rola pelos campos e dor não sente
recebe carinho e olhares
mas nada lhe é atraente


sonho de ser pedra
insensível à luz e à escuridão
mas sai o Sol
entra a Lua
eu espero amanhecer
escuridão nos pensamentos
desejo de laços romper


eu vejo sangue
me machuco
me reviro
veja meu sangue


olho para o horizonte
nos montes vejo pedras
quem as atirará?


eis que avisto
figura de dor
carne e sangue como eu
por corações de pedra desprezado
e eu agora queria ser de todas as pedras
aquelas pelas quais  gotas do seu sangue rolaram